A miastenia gravis está relacionada com a esclerose múltipla, a ELA ou a doença de Parkinson?


TL;DR
- A miastenia gravis (MG) é uma doença neurológica distinta da esclerose múltipla (EM), da esclerose lateral amiotrófica (ELA) e da doença de Parkinson.
- A MG afeta a comunicação entre os nervos e os músculos. A EM afeta o cérebro e a medula espinhal, a ELA danifica os neurónios motores e a doença de Parkinson afeta principalmente os circuitos cerebrais envolvidos no movimento.
- A fraqueza muscular costuma variar, torna-se mais percetível com o uso repetido dos músculos e pode melhorar após o descanso.
- A MG não evolui para EM, ELA ou doença de Parkinson.
- As experiências partilhadas através da aplicação « mama health » mostram porque é que, por vezes, pode ser difícil distinguir estas doenças à primeira vista, especialmente quando os sintomas incluem fraqueza, alterações na fala, dificuldades na deglutição, fadiga ou sintomas oculares.
A miastenia gravis está relacionada com a esclerose múltipla, a ELA ou a doença de Parkinson?
A miastenia gravis não é uma forma de esclerose múltipla, ELA ou doença de Parkinson. Estas doenças podem partilhar alguns sintomas, mas afetam partes diferentes do sistema nervoso e desenvolvem-se através de mecanismos biológicos diferentes.
A MG é uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular, o ponto onde os nervos comunicam com os músculos. Em muitas formas de MG, os anticorpos interferem com as proteínas envolvidas na transmissão de sinais dos nervos para os músculos, incluindo o recetor de acetilcolina (AChR) ou a quinase específica do músculo (MuSK).
Esta redução na transmissão de sinais pode causar fraqueza muscular que varia ao longo do dia ou se torna mais evidente após atividades repetidas.
A EM, a ELA e a doença de Parkinson funcionam de forma diferente.
A esclerose múltipla afeta o cérebro e a medula espinhal. A atividade imunitária danifica a mielina, a camada protetora que envolve as fibras nervosas.
A ELA, também conhecida como a forma mais comum de doença dos neurónios motores, danifica os neurónios motores que controlam os movimentos voluntários.
A doença de Parkinson afeta principalmente as vias cerebrais envolvidas no controlo do movimento, incluindo as que utilizam dopamina.
Para mais informações sobre onde a MG ocorre, consulta o guia da mama healthsobre doenças da junção neuromuscular.
O que distingue a miastenia gravis da esclerose múltipla?
A MG afeta principalmente a comunicação entre os nervos e os músculos, enquanto a EM afeta o cérebro e a medula espinhal. text A MG afeta principalmente a comunicação entre os nervos e os músculos, enquanto a EM afeta o cérebro e a medula espinhal.
Ambas as doenças envolvem uma atividade imunitária anormal, o que pode fazer com que pareçam estar relacionadas. No entanto, o sistema imunitário ataca estruturas diferentes.
A MG costuma causar fraqueza muscular que se agrava com o esforço. Isto significa que um músculo pode ficar mais fraco com o uso repetido e recuperar parcialmente após o descanso.
Os sintomas comuns da MG podem incluir:
- Pálpebras caídas
- Visão dupla
- Dificuldade em mastigar
- Alterações na fala
- Dificuldade em engolir
- Fraqueza no pescoço
- Fraqueza nos braços ou nas pernas
- Fraqueza dos músculos respiratórios em casos graves
A EM também pode causar fraqueza e sintomas visuais, mas, na maioria das vezes, envolve sintomas relacionados com o sistema nervoso central, tais como:
- Dormência
- Formigueiro
- Neurite óptica
- Dificuldades de equilíbrio
- Rigidez muscular
- Problemas de coordenação
- Problemas na bexiga
A ressonância magnética pode ter um papel importante na avaliação da EM, porque permite identificar alterações características no cérebro ou na medula espinhal. No entanto, a EM não é confirmada nem descartada com base num único exame.
Se os sintomas oculares são a tua principal preocupação, lê mais sobre a miastenia gravis ocular.
A miastenia gravis e a esclerose múltipla podem ocorrer em simultâneo?
A MG e a EM podem ocorrer na mesma pessoa, mas continuam a ser doenças distintas.
A MG está associada a uma maior incidência de algumas outras doenças autoimunes. Entre elas contam-se a doença autoimune da tiróide, a artrite reumatoide e o lúpus eritematoso sistémico.
A literatura médica também descreve casos em que a MG e a EM ocorrem em simultâneo.
Isso não quer dizer que a EM tenha evoluído para a EM. Significa que há duas doenças autoimunes distintas.
Em que é que a miastenia gravis difere da ELA?
A MG costuma causar fraqueza muscular intermitente, enquanto a ELA provoca danos progressivos nos neurónios motores.
Alguns sintomas podem parecer semelhantes. Ambas as doenças podem afetar a fala, a deglutição, a força do pescoço ou a força dos membros.
Os processos subjacentes são muito diferentes.
Na MG, o principal problema ocorre no ponto em que o nervo se liga ao músculo. A fraqueza pode variar bastante, dependendo da atividade, do repouso, da hora do dia, de doenças e de outros fatores.
Na ELA, os neurónios motores deterioram-se progressivamente. Isso leva a uma fraqueza muscular crescente ao longo do tempo e também pode causar atrofia muscular, cãibras ou espasmos.
Exames como a eletromiografia podem ajudar os médicos a identificar padrões que permitam distinguir as doenças dos neurónios motores das perturbações da transmissão neuromuscular.
A MG não evolui para ELA.
Em que é que a miastenia gravis difere da doença de Parkinson?
A MG causa problemas na ativação muscular, enquanto a doença de Parkinson afeta principalmente o controlo do movimento por parte do cérebro.
A doença de Parkinson costuma causar:
- Lentidão nos movimentos
- Rigidez muscular
- Tremor de repouso
- Alterações na marcha
- Balanço reduzido do braço
- Dificuldade em iniciar os movimentos
- Alterações na postura e no equilíbrio
A MG está mais fortemente associada à fraqueza flutuante.
Por exemplo, alguém com MG pode notar que uma pálpebra fica mais caída ao longo do dia ou que a voz fica mais fraca durante uma conversa longa.
Uma pessoa com Parkinson pode, em vez disso, notar que os movimentos ficam mais lentos, mais pequenos ou mais difíceis de iniciar.
A fala também pode alterar-se em ambas as doenças, mas por razões diferentes. A MG pode fazer com que a fala fique mais fraca, arrastada ou nasal, à medida que os músculos se cansam. A doença de Parkinson pode tornar a fala mais baixa, monótona ou mais rápida, porque o controlo dos movimentos sofreu alterações.
A MG não evolui para a doença de Parkinson.
Porque é que a MG pode parecer outra doença neurológica no início?
A MG pode assemelhar-se a outras doenças neurológicas, porque sintomas como fraqueza, visão dupla, alterações na fala, dificuldades na deglutição e fadiga não são exclusivos da MG.
O que muitas vezes importa é o padrão.
Os sintomas da MG podem variar. A fraqueza pode tornar-se mais evidente após uma atividade prolongada ou repetida e pode melhorar após o descanso.
As experiências partilhadas através da aplicação «mama health » mostram como, por vezes, pode ser difícil descrever este padrão.
As pessoas que vivem com MG já contaram de situações em que os sintomas iniciais levaram, a princípio, a pensar noutras causas.
Por exemplo, alterações faciais ou na fala que pareçam ter surgido de repente podem levar a uma avaliação urgente de AVC. A fraqueza facial pode assemelhar-se à paralisia de Bell. Pálpebras caídas ou visão dupla podem, inicialmente, ser interpretadas como um problema ocular.
Outros descrevem períodos em que a fadiga e a fraqueza foram consideradas juntamente com explicações como problemas da tiróide, fadiga crónica, sintomas neurológicos funcionais, stress, ansiedade ou depressão, antes de se chegar a considerar a MG.
Estas experiências pessoais não mostram com que frequência ocorre um determinado percurso de diagnóstico. Também não permitem determinar se uma avaliação médica anterior estava certa ou errada.
O valor destas experiências está em mostrar como a MG pode ser tão variada no dia-a-dia.
Uma situação que se repete é a dificuldade em explicar sintomas que variam ao longo do dia. Podes sentir-te relativamente com forças durante uma consulta curta, mas notar muito mais fraqueza depois de falares durante muito tempo, de fazeres uma refeição, de subires escadas, de manteres a cabeça erguida ou de fazeres tarefas repetidas.
Pensar em quando os sintomas aparecem, no que aconteceu antes e se algo mudou depois de descansares pode ajudar-te a descrever melhor essas experiências durante uma consulta médica.
Se a ressonância magnética não mostrar nada de anormal, isso significa que não pode ser miastenia gravis?
Não. Uma ressonância magnética cerebral normal não exclui a miastenia gravis.
A MG afeta principalmente a junção neuromuscular, em vez de causar alterações estruturais características no cérebro.
A ressonância magnética tem um papel diferente na avaliação neurológica. Pode ajudar os médicos a investigar doenças que afetam o sistema nervoso central, incluindo a esclerose múltipla.
Por isso, uma ressonância magnética normal não significa que os sintomas neurológicos não tenham explicação, e, por si só, não confirma nem exclui a MG.
Para mais informações, vê como é que se diagnostica a miastenia gravis.
Que exames podem ajudar a distinguir a MG de outras doenças neurológicas?
A avaliação da MG pode incluir um exame neurológico, análises aos anticorpos e exames especializados à comunicação entre os nervos e os músculos.
As análises ao sangue costumam procurar anticorpos associados à MG.
Isso pode incluir:
- Anticorpos anti-AChR
- Anticorpos MuSK
- Anticorpos anti-LRP4 em situações específicas
Um resultado negativo no teste de anticorpos não exclui automaticamente a MG.
Sabe mais sobre os anticorpos contra AChR, MuSK e LRP4 na miastenia gravis.
Os exames eletrofisiológicos também permitem avaliar a comunicação entre os nervos e os músculos.
Isso inclui:
- Estimulação nervosa repetitiva
- Electromiografia de fibra única
Quando há pálpebras caídas, um teste com uma bolsa de gelo pode, por vezes, dar-te mais informações durante uma avaliação.
Os exames de imagem do tórax também podem ser usados para examinar o timo, porque a MG pode estar associada a anomalias do timo, incluindo o timoma.
São utilizados diferentes exames quando se suspeita de EM, ELA, doença de Parkinson ou outra doença neurológica. Os resultados têm de ser interpretados em conjunto com os sintomas, os resultados dos exames e o historial médico.
A MG ocular pode transformar-se em EM ou noutra doença neurológica?
A MG ocular não evolui para esclerose múltipla, ELA ou doença de Parkinson.
A MG ocular afeta principalmente os músculos que controlam as pálpebras e os movimentos dos olhos.
Em algumas pessoas, a fraqueza pode acabar por afetar outros grupos musculares. A isto chama-se miastenia gravis generalizada.
A generalização continua a fazer parte da MG. Isso não significa que a MG se tenha transformado noutra doença neurológica.
O que é que as experiências de outras pessoas com MG podem acrescentar?
As experiências em primeira mão podem dar um contexto útil para sintomas que são difíceis de descrever, mas não conseguem determinar que doença é que alguém tem.
Na aplicação « mama health », as pessoas que vivem com MG partilham descrições das suas experiências do dia-a-dia, como fraqueza variável, pálpebras pesadas, alterações na fala, dificuldade em mastigar, resistência reduzida durante as atividades diárias e incerteza sobre se uma nova experiência se enquadra na MG.
Ler como outra pessoa descreve uma experiência semelhante pode, por vezes, dar-te algumas ideias úteis para refletires sobre a tua própria experiência.
Por exemplo, uma pálpebra que fica mais pesada à medida que o dia avança, uma voz que fica mais fraca durante uma conversa ou os braços que ficam cansados durante uma tarefa do dia-a-dia podem ser sensações difíceis de explicar sem dar exemplos.
mama health pode ser usado para registar e refletir sobre sintomas, experiências do dia-a-dia e questões que possas querer abordar numa consulta médica futura.
Não serve para diagnosticar a MG nem outra doença, nem para determinar se uma doença está a progredir, nem para recomendar decisões sobre o tratamento.
Quando é que os sintomas neurológicos exigem cuidados médicos urgentes?
Dificuldades graves na respiração ou na deglutição exigem avaliação médica urgente.
A MG pode, por vezes, causar fraqueza grave nos músculos envolvidos na respiração ou na deglutição. Isso pode evoluir para uma crise miasténica, que é uma emergência médica.
Procura assistência médica de emergência se tiveres dificuldades respiratórias graves ou que se agravem rapidamente, ou se não conseguires engolir com segurança.
Também não se deve partir automaticamente do princípio de que novos sintomas neurológicos sejam causados pela MG.
Fraqueza repentina num só lado do corpo, queda da face, dificuldade em falar, perda repentina da visão ou outros possíveis sinais de AVC exigem uma avaliação imediata nos serviços de urgência.
Ter MG aumenta o risco de outras doenças autoimunes?
A MG pode ocorrer em conjunto com outras doenças autoimunes.
A doença autoimune da tiróide é uma das associações mais conhecidas. Outras doenças autoimunes associadas à MG incluem a artrite reumatoide e o lúpus eritematoso sistémico.
Isso não quer dizer que todas as pessoas com MG venham a desenvolver outra doença autoimune.
Se surgirem novos sintomas que não se enquadrem no padrão habitual da MG de cada pessoa, podes falar com um profissional de saúde para ver se faz sentido fazer mais exames.
Qual é a conclusão sobre a MG, a EM, a ELA e a doença de Parkinson?
A miastenia gravis é uma doença diferente da esclerose múltipla, da ELA e da doença de Parkinson e não evolui para nenhuma delas.
A MG afeta a comunicação entre os nervos e os músculos.
A EM afeta o cérebro e a medula espinhal.
A ELA danifica progressivamente os neurónios motores.
A doença de Parkinson afeta principalmente as vias cerebrais envolvidas no controlo do movimento.
Alguns sintomas podem sobrepor-se, nomeadamente fraqueza, alterações na fala, dificuldades na deglutição e alterações na função física. O padrão subjacente e os exames médicos ajudam os médicos a distinguir entre eles.
As experiências partilhadas através da aplicação « mama health » também mostram porque é que essa distinção pode parecer confusa no dia a dia. Os sintomas variáveis podem ser difíceis de explicar, especialmente quando são mais evidentes após uma atividade prolongada do que durante uma consulta médica curta.
Se algo mudar de uma forma que te pareça diferente do que estás habituado, um profissional de saúde pode ajudar-te a perceber o que pode estar a contribuir para isso.
Para teres uma visão geral mais abrangente, lê sobre os sintomas da miastenia gravis, a ptose e a crise miasténica.
Este conteúdo é informativo e não é um dispositivo médico.
mama health informações e apoio, mas não substitui um médico.
Fontes
NHS. Miastenia gravis: sintomas, diagnóstico e visão geral.
https://www.nhs.uk/conditions/myasthenia-gravis/
NHS. Esclerose múltipla.
https://www.nhs.uk/conditions/multiple-sclerosis/
NHS. Doença do neurónio motor.
https://www.nhs.uk/conditions/motor-neurone-disease/
Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Acidentes Vasculares Cerebrais. Esclerose múltipla.
Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Acidentes Vasculares Cerebrais. Esclerose Lateral Amiotrófica.
Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Acidentes Vasculares Cerebrais. Doença de Parkinson.
Fundação Americana de Miastenia Gravis. Diagnosticar a MG.
Nacu A, Andersen JB, Lisnic V, Owe JF, Gilhus NE. Doenças autoimunes associadas à miastenia gravis: uma revisão. Autoimmunity. 2015.
Dehbashi S, Hamouda D, Shanina E. Coocorrência de esclerose múltipla e miastenia gravis: um relato de caso e revisão das teorias imunológicas. Multiple Sclerosis and Related Disorders. 2019.










