Gravidez e miastenia gravis: o que se sabe? (Janeiro de 2026)


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TL;DR
- A gravidez é muitas vezes possível e segura para pessoas com miastenia gravis (MG), mas precisa de um bom planeamento e acompanhamento médico de perto.
- Os sintomas da MG podem melhorar, piorar ou ficar estáveis durante a gravidez; as mudanças são imprevisíveis.
- Alguns medicamentos para MG são considerados seguros, mas outros devem ser evitados durante a gravidez e a amamentação.
- Os recém-nascidos raramente podem ter uma miastenia neonatal temporária, que geralmente passa em algumas semanas.
Por que a gravidez precisa de atenção especial para quem tem MG?
A miastenia gravis é uma doença neuromuscular autoimune crónica que causa fraqueza muscular variável.
A gravidez é importante porque as mudanças hormonais e imunológicas podem influenciar a atividade da doença, e alguns tratamentos para MG podem afetar o feto em desenvolvimento.
A maioria das pessoas com MG pode engravidar e ter um parto seguro, mas os resultados são melhores quando a gravidez é planeada durante uma fase estável da doença e acompanhada por uma equipa multidisciplinar.
A gravidez é segura se tiveres MG?
Sim, a gravidez geralmente é segura para quem tem MG, mas ainda é considerada de alto risco e, por isso, precisa de acompanhamento de um especialista.
Grandes estudos observacionais mostram que:
- A fertilidade geralmente é normal em pessoas com MG,
- As taxas de aborto espontâneo e malformações congénitas são parecidas com as da população em geral.
- As complicações maternas são mais prováveis se a MG não estiver bem controlada antes da concepção.
A estabilidade dos sintomas antes da gravidez é um dos melhores indicadores de que a gravidez vai correr bem.
Como os sintomas da MG podem mudar durante a gravidez?
Os sintomas da MG podem mudar a qualquer momento durante a gravidez, mas os padrões são variáveis.
Pesquisas sugerem que:
- Cerca de um terço dos pacientes apresenta agravamento dos sintomas,
- Cerca de um terço permanece estável,
- Cerca de um terço melhora, geralmente durante o segundo trimestre.
O agravamento dos sintomas é mais comum:
- No primeiro trimestre,
- No período pós-parto, especialmente nas primeiras 6 semanas após o parto.
Como as mudanças são imprevisíveis, é essencial fazer um acompanhamento neurológico regular.
Quais tratamentos para MG são considerados mais seguros durante a gravidez?
Alguns medicamentos para MG têm mais tempo de experiência de segurança na gravidez, enquanto outros são evitados por causa dos riscos conhecidos.
Normalmente usado com cuidado (caso a caso):
- Piridostigmina,
- Corticosteroides (por exemplo, prednisona).
Muitas vezes evitado ou desencorajado:
- Micofenolato de mofetil (MMF),
- Metotrexato (MTX),
- Ciclofosfamida.
As decisões sobre o tratamento são personalizadas e dependem da gravidade da doença, da resposta anterior e da fase da gravidez. O ideal é que as mudanças na medicação sejam feitas antes da concepção, e não durante a gravidez.
A MG pode afetar o trabalho de parto e o parto?
A maioria das pessoas com MG pode ter um parto vaginal.
Algumas coisas importantes a considerar são:
- Cansaço dos músculos respiratórios e bulbares durante o trabalho de parto prolongado,
- Evitar medicamentos que podem piorar a transmissão neuromuscular,
- Planejar a anestesia com cuidado, porque alguns relaxantes musculares podem piorar a fraqueza.
A cesariana geralmente é feita por motivos obstétricos, não só por causa da MG.
O que é miastenia neonatal e como é comum?
A miastenia neonatal transitória acontece quando os anticorpos da mãe atravessam a placenta e afetam temporariamente o bebé.
Pontos principais:
- Acontece em cerca de 10 a 20% dos bebés de mães com MG,
- Os sintomas podem incluir choro fraco, dificuldade em se alimentar ou tônus muscular baixo.
- Os sintomas geralmente aparecem nos primeiros dias de vida,
- A condição é temporária e geralmente desaparece em poucas semanas, à medida que os anticorpos maternos desaparecem.
A miastenia neonatal não é hereditária e não significa que a criança vai ter MG mais tarde na vida. Para saber mais, dá uma olhada no nosso artigo: Miastenia neonatal: sintomas, causas e tratamento.
Dá para amamentar com MG?
A amamentação geralmente é possível para pessoas com miastenia gravis, dependendo da força da mãe, da fadiga e dos medicamentos usados.
A piridostigmina, os corticosteroides (prednisona/prednisolona), a azatioprina, a imunoglobulina intravenosa e a plasmaférese são geralmente consideradas compatíveis com a amamentação, uma vez que apenas pequenas quantidades passam para o leite materno e não são consideradas clinicamente significativas para o bebé.
Por outro lado, o micofenolato de mofetil, o metotrexato e a ciclofosfamida devem ser evitados durante a amamentação. Os anticorpos monoclonais (como rituximabe, eculizumabe e efgartigimode) e os inibidores da calcineurina (ciclosporina, tacrolimus) precisam de uma avaliação individualizada dos riscos e benefícios e de um acompanhamento de perto, porque os dados de segurança são limitados ou variáveis.
Em qualquer caso, qualquer decisão sobre medicação durante a amamentação deve ser discutida com as equipas de neurologia e obstetrícia para equilibrar a saúde materna e a segurança do bebé.
O que é preciso planear antes da gravidez?
É super recomendável fazer aconselhamento pré-concepcional.
Os tópicos geralmente incluem:
- Revisão da estabilidade da MG e exacerbações recentes
- Ajustar os medicamentos para opções compatíveis com a gravidez
- Planeamento do parto e apoio pós-parto
- Falando sobre o monitoramento neonatal depois do nascimento
Planejar com antecedência ajuda a diminuir os riscos que podem ser evitados, tanto para os pais quanto para o bebé.
Aviso legal:
Este conteúdo é informativo e não é um dispositivo médico.
mama health informações e apoio, mas não substitui um médico.

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Fontes
1. Academia Europeia de Neurologia. Diretrizes para o tratamento da miastenia gravis.
2. Academia Americana de Neurologia. Visão geral sobre miastenia gravis e gravidez.
3. Gilhus NE e outros. Miastenia gravis e gravidez. Neurologia.
4. Sanders DB e outros. Diretrizes internacionais consensuais para o tratamento da miastenia gravis.
5. Centro de Informação sobre Doenças Genéticas e Raras (GARD) do NIH: Miastenia gravis.
6. Gilhus NE Considerações sobre o tratamento da miastenia gravis em pacientes grávidas. Revisão especializada em neuroterapêutica.









